Centro de Otorrinolaringologia, Alergologia e Medicina do Sono

Apnéia do Sono

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A síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma doença crônica evolutiva, com alta taxa de mortalidade e morbidade, que pode variar de intensidade desde o ronco primário até a sonolência diurna excessiva. Caracteristicamente a apnéia do sono pode levar a graves repercussões gerais hemodinâmicas, comportamentais e neurológicas. O diagnóstico de confirmação para a SAOS é feito pela polissonografia, onde o paciente é monitorizado durante o sono com registro do eletroencefalograma, miografia do mento e pernas, eletroculograma, fluxo de ar nasal e bucal, esforço respiratório e saturação de oxigênio.
O ronco, termo utilizado para o som emitido pela obstrução respiratória parcial ocorrida durante o sono, é um dos hábitos humanos mais prevalentes, incide em 20% dos homens e 5% das mulheres dos 30 aos 35 anos, sendo que aos 60 anos esses valores sobem para 60% nos homens e 40% nas mulheres, sendo três vezes mais freqüente em pessoas obesas. Já a apnéia é caracterizada polissonograficamente pela cessação da passagem de ar pelas vias aéreas superiores (VAS) com duração de pelo menos dez segundos, podendo ser definida como central, obstrutiva e mista. Usa-se o termo hipopnéia quando há redução de pelo menos 50% do fluxo aéreo com dessaturacão de no mínimo 4%.
Pela polissonografia a SAOS é classificada como leve (5 a 15 eventos/hora), moderada (15 a 35 eventos/hora) e grave (acima de 35 eventos/hora, arritmias, angina e dessaturacão de oxigênio).
Os portadores da SAOS apresentam apnéias predominantemente obstrutivas, quadro relacionado com o colapso de porção das VAS em região situada entre as coanas e a epiglote, estando o colapso relacionado com alterações tanto neuromusculares quanto físicas e espaciais.
É parte importante da avaliação dos pacientes com SAOS a determinação do sítio de obstrução, geralmente realizada com o auxílio de exame endoscópico, avaliação cefalométrica e ressonância magnética.
Uma vez estabelecidos os fatores que ocasionam o quadro de SAOS e determinada a intensidade do mesmo, diversas formas de tratamento podem ser propostas, que incluem medicamentos, próteses orais, CPAP e cirurgias. A uvulopalatoplastia foi a primeira cirurgia proposta para tratamento do ronco, realizada em 1952 por Ikematsu no Japão .Em 1980, Fujita introduziu uma nova cirurgia visando aumentar o espaço aéreo na orofaringe dos pacientes com SAOS, posteriormente Fairbanks realizou novas modificações objetivando maximizar a lateralização dos pilares posteriores, preservar a ação de esfíncter da musculatura palatonasofaríngea e diminuir a retração cicatricial do palato. A técnica de Fairbanks modificada persiste como a técnica atualmente mais utilizada para a uvulopalatofaringoplastia.

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